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DF Julio Costantini fala sobre a tecnologia ARRI por trás de "Confissões de uma Garota Excluída" da Netflix

O diretor de fotografia brasileiro Julio Costantini, discute a abordagem e a tecnologia utilizadas em seu último filme “Confissões de uma garota excluída”. O longa original da Netflix, foi filmado com a ALEXA Mini LF da ARRI e as lentes ARRI Signature Primes em ARRIRAW e iluminado pelos SkyPanels da ARRI.

Baseado no romance mais vendido da autora brasileira Thalita Rebouças, “Confissões de uma Garota Excluída”, que conta a história de Tetê, uma adolescente que sofre bullying na escola. Produzido pela Panorâmica Filmes para a Netflix, é uma história de amadurecimento que gira em torno de uma menina depois que ela se muda para a casa dos avós e começa a frequentar uma nova escola. Lá ela faz amigos e inimigos, e terá que se provar inocente de uma acusação que pode mudar sua vida.

Depois de “Tudo bem no Natal que vem”, “Confissões de uma Garota Excluída” é a segunda produção da Netflix do diretor de fotografia Julio Costantini. No entanto, seu talento criativo, combinado com uma adoção pragmática da tecnologia, prevê o sucesso futuro contínuo.

O diretor Bruno Garotti, que dirigiu vários projetos derivados da literatura, quis utilizar novas referências ao mesmo tempo em que se manteve fiel a esta história. Ele também queria brincar com animação e dividir a tela ao longo do filme. Foi um desafio para Costantini, que se propôs a empregar as técnicas mais modernas, criando um workflow eficiente do início ao fim. Ele nos conta um pouco sobre sua abordagem e conta com os melhores talentos, tecnologia de ponta e os workflows mais recentes.

Julio, é a primeira vez que você trabalha com o diretor Bruno Garotti. Qual foi sua abordagem para “Confissões de uma Garota Excluída”?

Sim, este foi meu primeiro trabalho com o diretor Bruno Garotti e devo dizer que tem sido uma ótima experiência. Bruno está muito focado em conseguir boas atuações dos atores. Tudo começa com o elenco incrível que ele sempre traz para seus projetos. Como fotógrafo, acredito que o melhor que podemos fazer, em relação aos atores, é respeitar, proteger e buscar sutilmente aprimorar suas atuações, tentando não interferir muito, tecnicamente falando.

Queríamos ter uma abordagem um pouco diferente para os diferentes mundos retratados no filme, como a escola da Tetê ou o apartamento da avó idosa, que ficava no bairro histórico de Copacabana no Rio.

Desde o início, sabíamos que este filme necessitaria de movimentos de câmera que acompanhassem de perto os atores, muitos deles jovens e capazes de se adaptar aos seus momentos improvisados.

“Confissões de uma Garota Excluída” foi filmado durante a pandemia no Brasil. Como isso afetou seu trabalho?

Rodar um longa-metragem, durante uma pandemia mundial não é uma tarefa fácil. Trabalhar com a equipe em segurança durante a pré-produção, filmagem e pós-produção; tivemos que respeitar protocolos rígidos, fazer testes de PCR o tempo todo e prestar atenção a todos os detalhes em relação à proteção da Covid, e é claro que isso tudo é muito importante. A filmagem também, é sempre intensa, mas durante uma pandemia, sua concentração precisa ser duplicada.

Algo interessante de mencionar, é o fato de que este filme teve sua correção de cores feita de forma remota. A correção de cor foi feita pela colorista residente Julia Bissiliat, assim como Francisco Neto (conhecido como Chiquinho), colorista sênior e supervisor de pós-produção, ambos da DOT Cine. É uma honra trabalhar ao lado deles, encontrando as melhores soluções para cada momento da história. Na verdade, nosso trabalho começou bem mais cedo, durante a pré-produção, quando nos reunimos remotamente com a equipe da Netflix no Brasil, Laura Futuro e Bernardo Caron. Discutimos todo o processo até o final, cobrindo correção de cor no set, dailies, mas também as escolhas criativas e qual seria a melhor forma de chegar nos resultados.

Empregar as técnicas mais recentes do setor, está realmente se tornando a norma no Brasil. Por exemplo, é empolgante ver o Sistema de Codificação de Cores da AMPAS Academy Color Encoding System (ACES) chegando à maioria dos sets de filmagem. Por que você decidiu usá-los neste projeto? 

No meu primeiro projeto Netflix, “Tudo bem no Natal que vem”, tivemos a melhor experiência trabalhando com o sistema de cores ACES. Achei que esse projeto também se beneficiaria muito com isso. É muito vasto em termos de possibilidades e também ajuda a manter todo o workflow alinhado. Depois de capturar sua imagem em ARRIRAW, você deve esperar trabalhar com um espaço de cores que carregue a maior quantidade de informações até o final, e o ACES faz isso. Os detalhes que encontramos em termos de nuances de cores durante a pós, especialmente em HDR, foram impressionantes.

Uma nota rápida, embora filmar em ARRIRAW possa parecer impossível para algumas produções, em termos de gerenciamento e armazenamento de dados, usando High Density Encoding (HDE), pode torná-lo realidade, e este foi o nosso caso. Fizemos alguns testes durante a pré-produção e descobrimos que podíamos reproduzir os arquivos originais em tempo real e economizar quase 40% de armazenamento ao usar HDE, que por sinal é absolutamente sem perdas. Ficamos muito felizes em usá-lo no filme.

Parece que você se sente confortável trabalhando em HDR. Mas como isso afetou a filmagem?

Este foi meu segundo projeto concluído em HDR e já sou um grande fã do processo. As nuances de cor e a faixa de contraste com as quais você pode trabalhar me fazem sempre querer terminar em HDR de agora em diante. Isso me lembra que nem sempre é uma questão de pixels ou resolução, mas de profundidade de cor e multiplicidade de tons disponíveis, e é isso que o HDR oferece à sua imagem.

Só posso dizer que o processo afetou positivamente a filmagem. Assim que você tiver a possibilidade de monitorar HDR, mesmo que apenas o DIT perto do set tenha acesso a ele, você pode verificar todos os detalhes enquanto ainda estiver no set, cuidar melhor dos tons de pele, highlights, etc.

Não posso deixar de citar os DITs deste filme, Fernando Sequeira e Marcelo Vicente, laboratório digital Keila Borges, da DOT, e o produtor de pós, Tiago Almeida, da Panorâmica. Eles nos ajudaram a manter todo o processo consistente, do início ao fim, e mantiveram os olhos bem abertos durante a filmagem, monitorando e controlando a qualidade em HDR.

Entre outros, os SkyPanels foram usados para a iluminação. Qual foi sua impressão?

O gaffer Edu K. Spuldaro e sua equipe, me ajudaram muito criando soluções para os diferentes locações e cenários, usando ferramentas modernas como os SkyPanels S30 e S60. A flexibilidade de dimerizar, alterar a temperatura da cor, mantendo uma qualidade de luz consistente e IRC, ou simular gelatinas de correção e de cor, é tão importante que é difícil iniciar um projeto e não carregar esses refletores com você. Isso lhe dá liberdade e permite que você fotografe mais rápido.

Este foi um dos primeiros filmes no país a empregar câmeras ALEXA Mini LF e lentes ARRI Signature Prime. Como você escolheu esta combinação?

Eu e o Bruno somos grandes fãs das câmeras ARRI. Embora tenhamos testado outros modelos de câmeras para este filme, a escolha da ALEXA Mini LF ficou clara assim que assistimos a filmagem em HDR. Esta foi a minha primeira vez fotografando em ARRIRAW e fiquei muito impressionado com os resultados, em termos de reprodução de cores e latitude.

Algumas pessoas podem pensar que esta câmera de grande formato só é adequada para filmes épicos ou grandes produções de Hollywood, filmes de época ou de guerra, mas não necessariamente funciona dessa forma. O “grande formato” também pode ser muito útil para filmar comédias, dramas familiares e intimidade entre personagens. Um bom equipamento de câmera pode ajudar a tornar sua história mais bonita e dramática na tela, se você usar da maneira certa, mas, para este filme, sentimos que o Large  Format combinado com as Signature Primes da ARRI faria o drama saltar da tela diretamente para o coração do espectador. O Large Format aumentava as emoções do ator com elegância, especialmente devido às distâncias focais mais longas que naturalmente acabamos usando para alcançar certos campos de visão, em comparação com os sensores Super 35 mm padrão.

As lentes Signature Primes têm algo quase indescritível que gosto de chamar de “charme moderno e elegante”. Elas são claramente lentes de última geração, sem distorções, feitas para casar entre si, nítidas e estáveis. No entanto, eles oferecem uma suavidade tão poderosa e discreta em torno das bordas que às vezes é difícil acreditar no que você está olhando, mesmo quando você as usa totalmente abertas. A equipe de filmagem também ficou impressionada. Eles fizeram um trabalho fantástico neste filme, e o Mário Jannini, diretor técnico de serviços da ARRI Brasil, nos deu todo o suporte e informações de que precisávamos antes e durante a produção. Agradeço a ele por isso.

Certamente parece que este foi um projeto que utilizou workflows de ponta. Como isto influenciou no look do filme?

Sempre tentamos fazer todas as escolhas técnicas com base na história. Claro, estávamos ansiosos para trabalhar com as câmeras e lentes mais recentes disponíveis, mas nada disso teria parecido apropriado se não se encaixasse na história. Não queríamos crescer mais do que a história ou os personagens, mas queríamos dar a eles o look que mereciam. Jogamos com cores diferentes, desafiando a latitude da câmera ao fotografar na praia ou capturando cenas de festa cheias de tons diferentes, e ficamos muito felizes em ver que a combinação do equipamento certo, workflow bem planejado, com a equipe certa e talentosas atuações, sempre funciona!

“Confissões de uma Garota Excluída” está na NETFLIX.

O portfólio de Julio Costantini pode ser encontrado em www.juliocostantini.com.