Uma Breve Crônica da ARRI na América Latina

Na ARRI da América Latina, pensamos que seria divertido compartilhar uma breve crônica do mercado em que trabalhamos.

Durante o ano do 100º aniversário da ARRI, estamos aprendendo mais sobre a história da empresa e seu impacto na indústria cinematográfica global. Aqui, na ARRI da América Latina, pensamos que seria divertido compartilhar uma breve crônica desta região especial.

Argentina, Brasil e México, historicamente, tiveram longas histórias no cinema. Durante seu auge em meados dos anos de 1900, esses países sustentaram uma indústria cinematográfica em expansão, produzindo centenas de obras famosas.

Houve um total de três excursões para a região amazônica e, na terceira viagem em 1955, a equipe alemã foi presa pela Polícia Federal do Brasil e despachada para o Rio.

Antes de encontrar sua própria voz, os filmes europeus inspiraram esses cineastas latino-americanos. Os mais rentáveis longas-metragens de Hollywood eram tradicionalmente mantidos fora dos cinemas. Além disso, ainda há aceitação pela intervenção do Estado na manutenção da história e da cultura de um cinema nacional. Mesmo os governos democraticamente eleitos, impõem limites à distribuição de filmes estrangeiros dentro de suas fronteiras.

A evidência do aparecimento da ARRI na região, remonta há mais de 60 anos. As equipes locais de filmes, muitas vezes aprenderam sobre a qualidade e robustez do equipamento enquanto trabalhavam fora de seu país. Eles traziam câmeras e equipamentos de luz ao retornar para casa. Mais importante ainda, os cineastas trouxeram o conhecimento do cinema e da tecnologia mais recente utilizada. Ainda hoje, vemos uma dinâmica semelhante, com um toque do século XXI.

De volta àquela época, os empresários viajam para a Alemanha, compram luzes ARRI de segunda mão e as levam de volta para alugar. Não importava que o equipamento fosse usado, o mercado estava entusiasmado em tê-lo. Um bom equipamento era difícil de se encontrar neste território remoto.

Diretor alemão Franz Eichhorn monitora as condições no set.

As produções estrangeiras foram atraídas pelo meio ambiente exótico. Eles aprenderam a lidar com os muitos desafios apresentados neste ambiente. O diretor de cinema alemão, Franz Eichhorn, viajou para o Brasil na década de 1950 com sua equipe e câmeras ARRIFLEX para filmar na Amazônia. “Há muitas histórias selvagens e incontáveis”, conta sua neta Sybelle Urban, “entre eles, o incidente de quase serem cobertos por água em sua tentativa de filmar o famoso fenômeno da pororoca que as ondas que se formam quando as marés correm nas águas do rio Amazonas. Eles subestimaram o poder das ondas, estavam muito perto da borda do rio e tiveram que lutar literalmente por suas vidas”.

Ela acrescenta: “Dentro de um período de oito anos ou mais, houve um total de três excursões para a região amazônica e, na terceira viagem em 1955, a equipe alemã foi presa pela Polícia Federal do Brasil e despachada para o Rio. No Rio, meu avô posteriormente dirigiu alguns filmes, o mais famoso foi, TREZE CADEIRAS, que ganhou o prêmio de Melhor Diretor no festival de cinema do Governador do Estado de São Paulo, em 1957.” Eichhorn permaneceu no Rio e depois fundou a Eurobras, a empresa que ainda hoje representa a ARRI no Brasil.

Eichhorn (com camisa listrada) e sua equipe na Amazônia, Brasil.

Nos anos 60 e 70, o cinegrafista Fucho Musitelli foi um dos primeiros, se não o primeiro, a utilizar as câmeras ARRIFLEX na região do Rio de la Plata, entre o Uruguai e a Argentina. Em 1966, ele também se tornaria o representante de vendas da ARRI. Naquele momento, o equipamento tinha que ser comprado e importado diretamente de Munique. O vínculo que estabeleceram com a ARRI nos Estados Unidos, não aconteceu até 1994, hoje, os netos de Fucho Musitelli dirigem uma locadora de alto nível em Montevidéu, com seu nome. A ARRI, segue sendo sua marca principal.

Nos anos 60 e 70, o cinegrafista Fucho Musitelli foi um dos primeiros, se não o primeiro, a usar as câmeras ARRIFLEX na região do Rio de la Plata.

Câmeras analógicas estavam sendo usadas na Colômbia, no início dos anos 80, para capturar os segmentos de noticiários mostrados nos cinemas. Eles foram filmados com a ARRI II C, um tanque de guerra de câmera que realmente colocou a ARRI no mapa. O processamento do negativo e a pós ainda tinham que ser concluídos em Nova York, uma vez que não havia laboratórios locais. Efraim Cárdenas da Congo Films, em Bogotá, conta: “A primeira ARRI III com baioneta chegou em torno de 1984. Mais câmeras chegaram em seguida e, no final da década de 80, algumas câmeras de bocal PL começaram a aparecer.” Hoje, você pode encontrar os mais recentes equipamentos de produção digital de ponta em locadoras por toda a região.

Ferruccio “Fucho” Musitelli filmando na praia. Anos 60, Uruguai. ARRI II C

Em 1985, o Oscar do melhor filme estrangeiro foi para uma produção da Argentina, LA HISTORIA OFICIAL, de Luis Puenzo. Felix Monti, o aclamado cineasta argentino, filmou com câmeras ARRI.

Mais recentemente, as ARRI’s SR III foram usadas na República Dominicana para capturar filmes como o popular PERICO RIPIAO. De acordo com Ruben Abud da Kcettes Pro, PERICO RIPIAO foi o filme mais bem sucedido do país e um sucesso de bilheteria para o diretor Angel Muñiz e o diretor de fotografia Peyi Guzman. Com o aumento da qualidade do trabalho, o aumento da disponibilidade de equipes treinadas e as novas instalações da Pinewood Dominican Republic Studios, a produção de filmes nesta pequena nação caribenha continua a crescer rapidamente.

Ao longo dos últimos 100 anos, a ARRI tem sido fundamental para ajudar a moldar a indústria cinematográfica na América do Sul e no Caribe. O escritório da América Latina, estabelecido na Flórida, cresceu consideravelmente. A equipe agora engloba vendas, marketing e relações com o cliente e é suportada por uma sólida rede de revendedores. Além disso, a ARRI Brasil foi recentemente estabelecida em São Paulo como o primeiro Centro de Serviço de Câmeras ARRI na América Latina. Hoje, continuamos a mesma tradição de apoio ao território através desses dois escritórios.

Diretor de fotografia Peyi Guzman em PERICO RIPIAO, República Dominicana.

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