Restaurando HIROSHIMA MON AMOUR

A restauração em 4K do filme clássico HIROSHIMA MON AMOUR (1959), de Alain Resnai foi realizada em 2013 por Argos Films, Fundação Technicolor, Fundação Groupama Gan e a Cineteca di Bologna. O trabalho foi executado nos laboratórios de restauração L’Immagine Ritrovata e Cineteca di Bologna, onde o diretor da unidade Davide Pozzi supervisionou a delicada tarefa de digitalizar o negativo original da câmera. Aqui, ele fala sobre como o processo de restauração foi extremamente auxiliado pelas vantagens únicas do avançado ARRISCAN e ARRI Wet Gate.

Trailer do HIROSHIMA MON AMOUR

Uma restauração em 4K do filme clássico HIROSHIMA MON AMOUR (1959), de Alain Resnai, ocorreu em 2013 no laboratório de restaurações L’Immagine Ritrovata, na Itália, onde um ARRISCAN e as ferramentas de arquivamento ARRI foram usadas para uma delicada tarefa de digitalizar o negativo original da câmera.

Quando o L’Immagine Ritrovta adquiriu seu primeiro ARRISCAN?

Em 2009 nós decidimos que para executar as restaurações que queríamos fazer, nós precisávamos de um scanner que pudesse digitalizar qualquer tipo de material, incluindo nitrato e formatos fora do padrão, tanto quanto filmes encolhidos ou danificados. Nós fomos até a ARRI em Munique para fazer alguns testes com um filme, não muito comum, chamado Irmãos Lumière, o qual tinha apenas uma perfuração por quadro. Nós utilizamos um ARRISCAN e o Sprocketless Transport para digitalizar e esse dia foi um dos melhores dias da minha vida profissional porque eu descobri que nós tínhamos encontrado uma máquina que poderia lidar com o trabalho de arquivamento que necessitávamos. Isso foi em março de 2009 e em agosto do mesmo ano nós estávamos finalizando a nossa compra de um ARRISCAN; Eu acredito que nosso Sprocketless Transport foi o primeiro a ser entregue.

Você investiu em alguma outra ferramenta de arquivamento da ARRI?

Nós já investimos em um ARRILASER em 2008 e em 2012 nós compramos o 16mm e 35mm Wet Gates para o nosso ARRISCAN, o qual foi um passo muito importante. Então, em 2013, nós compramos nosso segundo ARRISCAN e nesse período, nós decidimos construir um ambiente especial, sala climatizada, especificamente para os nossos equipamentos da ARRI. Nossa sala nova está finalmente acabada e eu espero poder comprar um terceiro ARRISCAN para colocar lá. Nós estamos fazendo restauração para clientes no mundo todo e nossas máquinas estão trabalhando o dia inteiro, mas nós adoraríamos um aumento do nosso volume de trabalho ainda mais. Por essa razão, meu alvo é ter três ARRISCANs, dois deles com um Wet Gate. Nós também temos o 16mm e 35mm Archive Gates, nós esperamos poder testar o Estabilizador Integrado da ARRI em breve.

Nós utilizamos um ARRISCAN e o Sprocketless Transport para digitalizar e esse dia foi um dos melhores dias da minha vida profissional.

Quais materiais você tinha para o HIROSHIMA MON AMOUR?

Nós tínhamos o negativo original da câmera e um inter-positivo. Nós conseguimos digitalizar a maior parte diretamente do filme, mas tínhamos dois rolos de filmes que foram afetados por mofo e decidimos digitalizá-los com o Wet Gate. Nesse caso especifico, o milagroso Wet Gate corrigiu o problema por completo e não foi necessário acrescentar nenhuma hora extra de limpeza digital no nosso cronograma de trabalho. Algumas pessoas enfatizam a habilidade de correção de arranhões e sujeiras do Wet Gate, ele pode corrigir, mas para mim, a força maior desse equipamento é a capacidade de limpar e corrigir mofo, o que em outra situação, significa o uso de outro elemento, ao invés do negativo original da câmera. Nós estamos lidando cada vez mais e mais com filmes que são armazenados em países com nível de umidade alto o que geralmente causa muitos danos por mofo; Desde que adquirimos o Wet Gate, a qualidade que alcançamos na restauração desses filmes tem aumentado drasticamente.

Houveram poucas cenas que alguns quadros desapareceram ou estavam seriamente danificados, nesse caso, nós os transformamos em inter-positivo. Mas, ter o ARRISCAN Wet Gate nos proporcionou trabalhar quase que inteiramente direto do negativo original da câmera. As perfurações apresentavam boas condições neste filme, então, nós não precisamos utilizar o Sprocketless Transport.

Ter o ARRISCAN Wet Gate nos permite trabalhar quase que totalmente direto do negativo original da câmera.

Alain Resnais estava envolvido nesse processo de restauração?

Sim, nós fomos privilegiados de ter sua participação e nós ficamos muito triste quando ele faleceu em março deste ano. No início, Resnais estava preocupado com o fato de que ele tinha criado o HIROSHIMA MON AMOUR em película e estava sendo restaurado e sendo apresentado digitalmente. Ele queria ter certeza que o grão estava aparentando da forma correta, que o filme ainda teria um look de cinema, não de vídeo, então passamos inúmeras horas fazendo testes para garantir que nossa restauração respeitasse o grão original do filme, ao máximo possível. Esses testes foram apresentados para Resnais e no final, ele ficou satisfeito com o resultado.

Como você obteve o grão correto?

A melhor forma para respeitar e obter o grão de um filme original, é com a restauração em 4K. Com um fluxo de trabalho 2K, você pode ter muitos problemas para alcançar o look original do grão da película mas, seguindo um fluxo de trabalho muito simples e linear em 4K, tudo se torna mais natural. Para simplificar, digamos que em um fluxo de trabalho em 2K você vê pixels, mas em 4K você vê o grão original.

Que outros desafios você enfrentou?

Um outro passo muito importante na restauração, foi a correção de cores. Nosso estimado consultor foi um cineasta chamado Renato Berta, o qual não trabalhou no HIROSHIMA MON AMOUR, mas ele trabalhou em outros filmes com Alain Resnais e ele veio para Bologna para participar deste processo de correção de cores. Ele foi muito útil, principalmente porque ele era muito amigo de Renais e tinha a liberdade de contatá-lo a qualquer momento, caso tivéssemos alguma dúvida. Mas Berta também sabia como Renais trabalhava no set e pôde nos falar que tipo de iluminação ele preferia nos rostos e coisas desse tipo. Isso nos ajudou a tomar caminhos na direção certa.

Por que foi necessário correção de cores para um filme em preto e branco?

A correção de cores para um filme preto e branco é muito importante porque existem muitos tipos diferentes de filmes preto e branco. Você pode ter mais ou menos contraste, isso depende do filme, por isso é extremamente importante identificar o máximo possível sobre o tipo da película e qual foi o processo utilizado no laboratório. Ainda mesmo que seja um filme preto e branco, a correção de cores é sempre o ponto mais delicado em qualquer restauração.