Luz ARRI: O GRANDE HOTEL BUDAPESTE

Dirigido em estilo tipicamente individual por Wes Anderson e filmado por seu diretor de fotografia de longa data, Robert Yeoman, ASC, O set do filme O GRANDE HOTEL BUDAPESTE foi o famoso hotel localizado na República da Zubrowka, um estado soberano e fictício da Europa nos anos de 1920, e centralizado nas aventuras do concierge Gustav H. (Ralph Fiennes) e um jovem empregado do hotel, Zero Moustafa (Tony Revolori). A co-produção Alemã-Inglesa, a qual foi filmada em 2013 nas redondezas de  Görlitz, Saxony (Alemanha) e no estúdio Babelsberg, foi selecionada para abrir o 64° Festival de Filme Internacional de Berlin. O iluminador do set, eletricista chefe Helmut Prein,  requisitou os equipamentos de iluminação da Locadora ARRI Berlin, a qual também forneceu um pacote de câmera ARRICAM e equipamentos de maquinária. A ARRI conversou com Helmut sobre seu trabalho com Wes Anderson e os desafios do projeto de iluminação do filme.

Trailer O GRANDE HOTEL BUDAPESTE

O filme O GRANDE HOTEL BUDAPESTE conta as aventuras de Gustave H, um concierge de um famoso hotel europeu em meio as guerras, e Zero Moustafa,  um jovem empregado que se tornam melhores amigos. Dirigido por Wes Anderson, o filme foi capturado com câmeras ARRICAM e refletores da Séries M pelo diretor de fotografia, Robert Yeoman, ASC.

Como você descreveria trabalhar com Wes Anderson e Bob Yeoman?

Eu diria intenso, porque Wes é um diretor que tem muitas idéias criativas em relação a iluminação do set e é determinado em executá-las da forma mais precisa possível. Isso requer um tipo de relacionamento que Wes e Bob tem desenvolvido através dos anos, trabalhando em sete filmes juntos. Nos capturamos cerca de 75% do filme em 4:3, o que é um desafio enorme, porque geralmente você tem parte do teto e do chão dentro do quadro, então, nós tivemos que encontrar soluções para a iluminação que funcionassem nesse formato. Esse foi o motivo principal para decidirmos utilizar nuvens a hélio nos interiores, essa foi a única maneira de gerar luz no alto. Outra marca registrada de Wes Andenrson é o inicio de um ponto de  perspectiva, seguido de uma girada lateral de 90° combinando com uma tomada de dolly. Isso é um desafio para qualquer operador de câmera, menos o Bob Yeoman, onde ele mesmo operou a câmera e fez um trabalho maravilhoso.

Quais foram os seus desafios nesse projeto?

Durante a pré-produção, foi decidido o uso exclusivamente de luz incandescente, em outras palavras, lâmpadas florescentes de 3.200°K em todas as cenas internas. Os resultados técnicos requisitados foram um desafio e nosso objetivo era contê-los o máximo possível, mas ampliá-los se necessário. Em certos momentos foi muito difícil esconder o enorme esforço técnico no qual envolvia esse filme e ter que trabalhar o mais discretamente possível. Görlitz é uma cidade razoavelmente pequena e encontrar lugares para estacionar os caminhões de equipamentos sem dar na vista, rapidamente se tornou um problema. Nós filmamos as externas durante o dia com luz natural, usando apenas refletores e painéis LED. Em outras configurações nós tivemos que iluminar meticulosamente.

Filmamos com filme 200 ASA e, em alguns casos, nós usamos lentes anamórficas, o que significava que precisaríamos alterar a abertura da íris, especialmente quando tínhamos vários atores na cena e todos precisavam estar em foco. Foi ótimo ver que Rob Yeoman não teve medo de fechar a íris; especialmente hoje,  quando todo mundo que esta acostumado a gravar com câmeras digitais e parecem manter a íris totalmente aberta, tentando dar a imagem digital HD a aparência de “filme” através do uso da profundidade do campo.

O refletores da Série M são excepcionais quando se trata de sua qualidade e eficiência.

Houve algum cenário em particular que foi difícil para iluminar?

Um dos pontos principais do filme, é obviamente, o GRANDE HOTEL BUDAPESTE, o qual foi construído dentro de uma antiga loja de departamentos em Gorlitz, Alemanha. O edifício Art Nouveau 1913 tem um interior impressionante, composto de duas escadas centrais e um deslumbrante teto de vidro, o nosso desafio foi iluminar este extenso espaço interior de uma forma que permitisse o livre movimento da câmera o máximo possível. Inicialmente, nós pensamos nos balões de hélio, mas como nós estávamos filmando durante o inverno e a luz do dia azul estava entrando através do teto de vidro, rapidamente concluímos que era necessário cobrir o teto para o controlar a luz que entra.

Acima do teto de vidro há outro teto de vidro, o qual cobrimos com rebatedores 6,1 x 6,1m internamente.  O espaço entre os dois tetos era muito estreito e não podíamos chegar muito perto dos refletores, o que significava que não poderíamos usar nada maior que 4kW. Nós testamos uma configuração com quatro cabeças, as quais posicionamos uma em cada canto do telhado. O resultado foi ótimo; então foi possível iluminar uniformemente toda a superfície do rebatedor 6,1 x 6,1m e acrescentar alguns extras por prevenção. Utilizamos um total de 40 refletores, uma combinação de ARRISUN e compactos da ARRI com gelatina ½ CTO. O resultado foi impressionante: tem a aparência completamente realista e a abertura da íris caiu de T4.5 no o andar superior para T2.8 no andar inferior, junto com a qualidade da luz, onde sentimos muito natural.

O que mais você tinha no seu pacote de iluminação?

Nós tinhamos um pacote básico e alugamos pacotes extras para certas configurações; tudo foi fornecido pela Locadora ARRI de Berlin. O pacote básico incluiu unidades luz do dia desde  400W até 18kW, uma mistura de Fresneis ARRI (18kW; 12kW), Série M da ARRI (M40 / M18), ARRISUNs (6kW; 4kW) e Kino Flos; também um pacote grande de Fresneis tungstênio T12 da ARRI, Dinos e Maxi/Mini Brutes, junto com uma variedade de luzes suaves. Nós usamos regularmente Balões Chineses de 2kW e 5kW, os quais montamos nos booms Max e Menace, e como a maior parte trabalhamos com a ausência de sombras, nós tivemos também um pacote de Butterfly, e então tivemos um sistema de dimmer, operado por Mike Wachter.

No momento, o meu favorito é o M90, o qual é quase tão potente quanto um 12kW porém mais fácil de manusear.

A razão que nos fez escolher a Locadora ARRI, foi a sua capacidade de lidar com a extensa logística e com projetos de grande porte. Além disso, seus equipamentos estão sempre em perfeitas condições, o que quer dizer que tudo vai correr tranquilamente no set. A Locadora ARRI também fez uma série de coisas sob medida para nós, incluindo algumas soft boxes que nos proporcionou um montagem básica de luz rápida, e encontraram algumas Chimeras especiais que eu vi em uma convenção com uma superfície larga, mas não muito profunda. Para as cenas durante o dia, nós utilizamos um refletor 4K X da ARRI com uma variável Chimera Speed Rings.

Você tem algum refletor preferido no momento?

Quando se trata de HMI, eu gosto da Série M. Na maioria dos projetos eu preciso de luz suave mas focada e os refletores da Série M são impressionante em termos de qualidade e eficiência. Por isso, as unidades da Séries M podem ser a luz direta ou indireta; ao mesmo tempo, no momento, o meu favorito é o M90, o qual é quase tão potente quanto um 12 kW porém mais fácil de manusear. Em seguida, eu gosto do Barger-Lite, o qual a Locadora ARRI me forneceu a primeira unidade para um filme no qual eu trabalhei chamado PERFUME: A HISTÓRIA DE UM ASSASSINO, mas meu tungstênio favorito é a unidade T12 da ARRI.