ARRIRAW e ALEXA M no primeiro longa 3D

UMA VIAGEM EXTRAORDINÁRIA (THE YOUNG AND PRODIGIOUS T.S. SPIVET), dirigido por Jean-Pierre Jeunet e filmado por Thomas Hardmeier, AFC, é o primeiro filme em 3D ARRIRAW e também o primeiro longa-metragem capturado com a ALEXA M. Impressionado pelo trabalho do Demetri Portelli que trabalhou em A INVENÇÃO DE HUGO CABRET de Martin Scorsese, Jeunet pediu a ele e a seu engenheiro de 3D Ben Gervais para se juntarem na equipe de UMA VIAGEM EXTRAORDINÁRIA. Aqui, Portelli e Gervais compartilham suas experiências trabalhando com a ALEXA M e rigs de 3D da CAMERON | PACE Group (CPG), capturando “verdadeiras” imagens 3D ao vivo no set.

Quais foram os benefícios de usar a ALEXA M em UMA VIAGEM EXTRAORDINÁRIA?

Demetri Portelli:
Este foi meu primeiro filme com a ALEXA M, então eu estava realmente animado para ter o menor e o mais portátil rig de 3D e um conjunto de ferramentas para 3D da CPG. Se você visse as fotos do rig M, ele realmente não era maior do que algumas câmeras de cinema e isso foi muito animador porque significou que nós poderíamos usar quaisquer lentes que queríamos, nesse caso, Master Primes.

Ben Gervais:
Para nós e Thomas Hardmeier, eu realmente sinto que a ALEXA M foi a melhor ferramenta para o trabalho no UMA VIAGEM EXTRAORDINÁRIA. A latitude e as altas luzes suaves, fizeram economizar tempo com coisas tolas, como troca de NDs e preocupações com o céu das próximas cenas de exterior. A ALEXA M de forma significativa mais leve, permitiu rigs menores que nós colocamos debaixo de um trem em movimento, no Steadicam, dentro de um trailer ou qualquer outro lugar, que Jean-Pierre escolheu, enquanto ainda era confiável evitando o tempo ocioso devido a questões de câmera no set.

Nós tínhamos um ótimo sistema da CPG com uma única linha de fibra óptica correndo do rig de 3D e 300m de cabo o que significou que o “vilarejo do vídeo” pode estar em qualquer lugar pelo caminho, mas não no caminho. O reconhecimento da ARRI das necessidades especiais de cada produção, permitindo modificações nas câmeras sem anular as garantias, significa que a câmera pode ser feita para funcionar perfeitamente para qualquer aplicação que você precisa e ainda ser apoiado.

A ALEXA M de forma significativa mais leve, permitiu rigs menores que nós colocamos debaixo de um trem em movimento, no Steadicam, dentro de um trailer ou qualquer outro lugar.

Você estava fazendo decisões no set sobre entrada-saída e convergência e você levou essas decisões para o filme finalizado?

DP:
Sim, eu controlava dinamicamente a entrada-saída e convergência de cada tomada e ajustava um ou ambos simultaneamente quando necessitava. Para clarear, eu filmava com as lentes convergidas (“toed-in”), como eu tinha feito no passado e acreditava ser a mais precisa captura de objetos e rostos humanos. Eu revisava cada cena na pós para checar, mas no UMA VIAGEM EXTRAORDINÁRIA minhas escolhas para a colocação da profundidade dificilmente precisava de ajuste e basicamente fizemos a pós-produção 3D em apenas duas semanas. Eu chequei todos as cenas de interesse técnico e cada cena de efeito, para a preservação correta da captura óptica, então fizemos uma passagem geral pela convergência para equilibrar a profundidade como um todo.

Gravando em ARRIRAW foi complicada sua monitoração ou o fluxo de trabalho?

BG:
O ARRIRAW nos deu um ótimo negativo que pode ser empurrado para qualquer lugar da pós, sem qualquer artefato de compressão e baixo ruído o qual nos ajudou com a percepção dos pretos em 3D. Nós usamos 2 gravadores CODEX Onboard para cada rig. A monitoração não foi complicada devido ao ARRIRAW, ele apenas pediu a adição de 2 monitores de 5” para atuar como monitores de “confiança” para as unidades CODEX.

O ARRIRAW foi maravilhoso, especialmente porque tínhamos uma versão IMAX do filme.

DP: O ARRIRAW foi maravilhoso, especialmente porque tínhamos uma versão em IMAX do filme, ele realmente ajudou a fazer o UMA VIAGEM EXTRAORDINÁRIA parecer bonito e o fluxo de trabalho foi confiável e sem transtornos. Nós escolhemos ter o menor e o mais portátil dos rigs 3D, ao invés de colocar o gravador no rig. Isso permitiu Ben acompanhar atentamente a gravação e as imagens estéreo, enquanto eu poderia estar com o fotógrafo e o diretor em um monitor 3D para discutir composição, movimento da câmera ou o bloqueio, que são importantes para o planejamento da estereografia de um filme.

Você realmente viu as imagens em tela IMAX?

DP:
Sim, eu estive em Santa Monica para o processo DMR com IMAX e eu estou muito feliz. O filme  tem momentos “negativos” fortes em 3D nos rostos dos personagens, mais do que os filmes em 3D atuais. Essa é a razão que eu particularmente tenho orgulho do filme: Eu acredito que ele representa um excelente equilíbrio das imagens no espaço do cinema e na profundidade da tela. Eu chamo isso de “distribuição do estéreo” e é maravilhosamente cativante em uma tela IMAX. Os personagens tem um volume em seus rostos não vistos nos atuais filmes “convertidos” de 2D.

Qual a importância que você sentiu em filmar o “real” 3D?

DP:
Rodando um filme 3D deveria ser “fazer” um filme 3D, como se os diretores prometessem filmar em cores e assistir em um monitor a cores no set. Infelizmente é difícil de encontrar diretores como  Scorsese e Jeunet que planejam, visualizam, filmam e editam seus filmes para a tela 3D. Eu tenho sido sortudo em trabalhar com esses cineastas que vivem a fotografia 3D e o narram as histórias no espaço 3D.

Existe a percepção que trabalhar no 3D nativo fará a produção mais lenta e mais cara do que converter para 3D na pós, quando isso não é necessariamente o caso. O filme tinha um orçamento bastante modesto e o próprio Jeunet disse a composição em 3D nem mesmo chegou a 10% desse orçamento. Fizemos todos os nossos dias de filmagem sem problemas incluindo até mesmo as cenas adicionais em Alberta para capturar as belas paisagens e uma tempestade de vento que varreu para o set. Para nós, isso é uma conquista que vale a pena reconhecer.

BG:
Uma das razões que Demetri e eu tiramos desse filme foi provar que, “Sim, isso pode ser feito”, 3D em um orçamento menor, em locais distantes, na sujeira, pequenos, rápido, mas ainda assim de uma qualidade impecável sem comprometer nada tecnicamente ou artisticamente. A ALEXA é definitivamente uma grande parte desse sucesso.