AMIRA pega o calor do Rio de Janeiro

Em antecipação da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, Jens Hoffmann passou três anos fazendo o MATA MATA (que significa TUDO OU NADA), que é um documentário sobre o crescimento dos novos jogadores do futebol brasileiro. Hoffmann utilizou na maior parte do projeto sua própria ALEXA, otimizada para câmera na mão, no estilo ENG, mas agarrou a chance de testar a AMIRA, câmera estilo documentário da ARRI, quando surgiu um momento oportuno durante a reta final de sua filmagem.

Trailer do MATA MATA

Em antecipação da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, Jens Hoffmann passou três anos fazendo o MATA MATA, um documentário sobre os jogadores de futebol Brasileiros. Ele utilizou sua própria ALEXA na maior parte do projeto, mas agarrou a chance de testar a AMIRA, câmera estilo documentário da ARRI, quando surgiu um momento oportuno durante a reta final de sua filmagem.

Como você configura sua ALEXA para um trabalho de documentário?

Eu tive que modificá-la acrescentando um receptor de áudio, o que significa que eu posso utilizá-la como uma câmera para documentários (ENG), eu posso trabalhar sozinho sem precisar de um assistente de áudio. Eu não uso montagens nos meus documentários, então eu preciso de uma câmera que me permita trabalhar rápido e que cubra uma ampla faixa dinâmica, me permitindo gravar em situações escuras, ou sair da escuridão para uma situação de dia ensolarado. Eu adoro o fato de ter o menu completo no meu visor, o que me facilita nos ajustes da câmera, e uma outra grande vantagem é o fluxo de trabalho da câmera; eu nunca tive um único arquivo corrompido, o que é algo extraordinário.

Como a ALEXA tem auxiliado no processo deste projeto?

A ALEXA me permite gravar em situações que nenhuma outra câmera suportaria. No Brasil, nós tivemos uma cena no carro; no lado de fora estava super claro mas dentro do carro estava bastante escuro e ainda assim segurou a exposição. Mesmo em situações com terríveis condições de iluminação, onde você não acreditaria que poderia ter uma imagem decente, a ALEXA, de alguma forma, ainda faz com que a imagem fique boa. A ferramenta false color tem sido muito útil porque eu posso assegurar minha exposição de imagem sem tirar meu olho do visor.

O que você achou da AMIRA quando escutou falar dela pela primeira vez?

Minha primeira reação foi pensar que essa seria a câmera com tudo que eu queria que a existisse em uma ALEXA: ela é mais leve, tem boas conexões de áudio e é fácil de ajustar a ergonomia para o ombro. Eu desejaria tê-la dois anos atrás! Eu amo a ALEXA e tenho uma relação pessoal com essa câmera, mas eu a trocaria por uma AMIRA devido ao trabalho que faço. Eu acredito que a AMIRA poderia ser meu carro-chefe perfeito.

Eu acredito que a AMIRA poderia ser meu carro-chefe perfeito.

Quais foram as cenas que você gravou com a AMIRA?

Quando nós estávamos gravando as crianças jogando futebol na rua na Cidade de Deus, ou City of God, a famosa comunidade no Rio de Janeiro. A ideia era gravar inserções a 200 fps de forma mais estilizada para que pudéssemos utilizar na abertura do documentário. Há uma seção em que Dante, o jogador do Bayern de Munique e um dos seis protagonistas, fala sobre a época que ele costumava jogar bola na rua quando criança, então nós usamos a AMIRA para gravar essa cena.

Foi quase como se estivesse em uma situação de combate para a câmera, um calor de mais de 40 graus, sem vento, muita poeira e sujeira, o suor pingando, as crianças e cachorros bisbilhotando e farejando em volta da câmera, tudo que você não quer, acontecendo. Nós começamos a trabalhar com um Steadybag e apenas segurando a câmera na altura da cintura, o que me permitiu passear entre as crianças enquanto eles estavam jogando. Então passamos a câmera para o ombro e depois no tripé. Nós utilizamos a AMIRA em várias posições diferentes.

Foi fácil a troca de posições da câmera?

A mudança para o tripé era rápida e fácil porque você pode deixar o adaptador do engate rápido na câmera enquanto está gravando tomadas de ombro e então é só montar a câmera de volta direto no tripé. O fato de que o suporte acolchoado do ombro é móvel, é uma ajuda muito bem-vinda; é muito prático e rápido encontrar uma posição confortável. Como a AMIRA é mais leve que a ALEXA, foi totalmente possível para eu rodar com a câmera na mão e com uma zoom por períodos muito mais longos.

Como a AMIRA é mais leve que a ALEXA, foi totalmente possível para eu rodar com a câmera na mão e com uma zoom por períodos muito mais longos.

Como foi a sua experiência gravando internamente em um cartão CFast 2.0?

Eles parecem ser bem robusto e a melhor coisa deles é a enorme capacidade de armazenamento, talvez o dobro da capacidade de um cartão SXS PRO com a ALEXA, o que é ótimo porque não há necessidade de se preocupar em trocar os cartões o tempo todo. Durante o período de uma tarde inteira gravando com a AMIRA, eu apenas utilizei um cartão e meio, mesmo gravando em alta velocidade a 200 fps. Eu imagino que, em velocidade normal, eu usaria apenas um cartão para a gravação o dia inteiro.

Você utilizou os canais múltiplos de áudio da AMIRA?

Nós estávamos gravando em alta velocidade (200 fps), portanto não gravamos áudio, mas nós gravamos algumas coisas em 25 fps e foi ótimo poder ligar o microfone direto na entrada XLR da AMIRA sem precisar nenhum outro equipamento intermediário. Isso nos permitiu gravar alguns sons ambiente durante o momento em que as crianças estavam jogando bola sem problema algum.

Como é a imagem da AMIRA comparada com seu material da ALEXA?

A qualidade de imagem e a faixa dinâmica são exatamente a mesma que a da ALEXA; a única maneira de separar as imagens é por causa da gravação em alta velocidade (200 fps). Havia uma claridade muito intensa no Rio, com o sol muito brilhante e muitas sombras bem escuras, então nós precisávamos dessa faixa dinâmica para essas situações de extremo níveis de contraste ao meio dia, e nós precisávamos da sensibilidade uma vez que a luz do sol estava indo embora, o que acontece muito rápido. Mesmo quando a cena aparenta ser muito escura para a gravação, nós ainda continuamos capturando imagens incríveis com a AMIRA.

Você ainda tem algo para gravar?

Nossa última cena será gravada durante o anuncio oficial da seleção brasileira, onde Dante vai saber se seu sonho de participar da Copa do Mundo de 2014 será realizado ou não. Nós vamos gravar isso no dia 7 de maio e a nossa estreia será no Cinema da ARRI em Munique, Alemanha, apenas quatro dias depois. Nós teremos finalizado a edição, mas deixaremos um espaço, por volta de 90 segundos e assim que terminarmos, iremos até a ARRI para acrescentar a pequena parte que falta, então o documentário estará pronto para ser apresentado.