ALEXA 65 em A LEI DA NOITE

O diretor de fotografia Robert Richardson, ASC, compartilha a sua experiência no filme de Ben Affleck, da época dos gângsteres, com o sistema de câmera ALEXA 65 da ARRI Rental.

Trailer do filme A LEI DA NOITE, capturado com ALEXA 65

O escritor, diretor e coprodutor Ben Affleck do filme A LEI DA NOITE, também faz o personagem Joe Coughlin, filho do capitão da polícia de Boston, levado para a vida do crime. O diretor de fotografia Robert Richardson, ASC, filmou com câmeras ALEXA 65.

Baseado na novela de Dennis Lehane, A LEI DA NOITE tem Ben Affleck no papel de Joe Coughlin, filho de um capitão da polícia de Boston onde a amante do mafioso vê Joe ser arrastado para vida do crime. Ben também escreve, coproduz e dirige. Depois de A LEI DA NOITE, ele escolheu novamente a ALEXA 65 para o filme BREATHE de Andy Serkis, no qual usou as lentes personalizadas da ARRI Rental.

Como a ALEXA 65 entrou em cena e quais os testes que você fez?


A ALEXA 65 entrou em A LEI DA NOITE quando eu e o Ben estávamos tentando determinar se o HD funcionaria ou se filmaríamos tudo em negativo. Preparei um teste onde usamos o filme 35mm, uma ALEXA com lentes anamórficas e a ALEXA 65 com lentes 65mm que reenquadramos para uma comparação. As imagens iam de rostos à macro com filamentos de luz e de angulares de quadros de pintura a fotografias de alto e baixo contraste de vários objetos.

Os resultados tiveram as cores corrigidas pelo Yvan Lucas na tentativa de casar as três imagens e então mostrar ao Ben no The Shed em uma tela 4K. Depois de assistirmos várias vezes a cada um dos três testes, fomos mais ao fundo para analisar a estrutura dos grãos e determinar se LUTs agressivos teriam um efeito positivo ou negativo. Indo mais além, os testes me permitiram determinar a ASA; achei que, como estava filmando sem luz, algumas cenas de interior estavam muito subexposta para ser registradas em negativo. A ALEXA foi melhor, mas a ALEXA 65 foi a melhor de todas e isso foi a razão de decidirmos pela ALEXA 65.

A ALEXA 65 mudou minha percepção de várias maneiras.

Qual o look que você e o Ben fizeram para a história e o período?

Nossas discussões iniciais sobre o look, foram concebidas de Boston, como sendo menos saturado, semelhante a uma cor lavada (bleach bypass), com grãos grandes, uma paleta de cores reduzida e mais preto no quadro. Isso é uma descrição simplista, pois alguns pretos se tornariam manchados, outras cores, como o azul, jogamos fortemente e, às vezes mudávamos para um forte amarelo/laranja para os interiores.

Quando a história se mudou para a Flórida, a paleta de cores se abriu amplamente: cores dos prédios, dos figurinos, dos carros, maquiagem e direção de arte. Esta ampliação das cores foram lentamente sendo diminuídas com a influência de Boston sobre a Flórida, com um retorno de tons mais escuros. Além disso, havia um desejo de trabalhar com cenas de maneira não convencional o tempo todo. Nós nos mudamos para um set de filmagem complexo, para permitir tomadas mais longas, enquanto ainda capturávamos o diálogo apropriadamente.

Você ficou preocupado sobre como o formato digital de 65mm funcionaria?

Não tive muita preocupação se a ALEXA 65 funcionaria, pois a testei. Eu precisava trabalhar com todos os departamentos para lhes permitir testemunhar o grau em que o detalhe é capturado, bem como a cor e o tom de pele. Esta é claramente uma preocupação para todos os departamentos, em particular o cabelo e a maquiagem, porque a imagem digital está ficando cada vez mais detalhada com o passar do tempo. Em que ponto se torna demais? E, no futuro, como encontrar soluções que impeçam que, em uma tela grande, não pareça como um vídeo, a menos que seja o desejo, o que eu não sou contra, mas, para um filme de época como este, eu senti, como Ben fez, que precisávamos de uma pátina mais suave.

Os bastidores do filme A LEI DA NOITE, capturado com ALEXA 65

Veja o DP Robert Richardson, ASC e a ALEXA 65 em ação no filme da época dos gângsteres de Ben Affleck, A LEI DA NOITE. Richardson usou novamente a ALEXA 65 em BREATHE, utilizando lentes personalizadas da ARRI Rental.

O que sua equipe achou em trabalhar com a câmera e como foi o workflow?

Minha equipe achou o formato excelente. Para Trevor Loomis, que foi o foquista, havia uma tensão adicional por conta da profundidade de campo, mas ele é extremamente talentoso e não tivemos qualquer problema com o foco. Para o Steadicam ela era pesada, mas novamente, sem problemas para fazer o trabalho.

O workflow não sentiu diferença no set ou na pós, da minha perspectiva, além do óbvio aumento do armazenamento, o que pode sobrecarregar a pós-produção. A finalização precisava estar ciente, com antecedência, sobre a quantidade de material que viria do set, portanto, não havia problemas com o playback.

O formato 65mm tem algum impacto na sua maneira de iluminar?

Teve um impacto na luz, particularmente, da minha percepção de que a ASA é ainda mais alta do que o informado, o que significa que eu pude trabalhar com luzes muito menores ou mesmo sem luz, além das luzes ambientes, em algumas locações. Isso era raro para interiores, embora as grandes sequências de hotel não fossem melhoradas, além de trocarmos as lâmpadas comuns por lâmpadas coloridas. Nenhum balão de luz foi utilizado ou outras fontes, exceto quando eu estava iluminando um rosto para um plano médio ou close-up, mas, para as tomadas em grande angular, eram relativamente intocáveis.

A ALEXA 65 mudou sua percepção das possibilidades que o cinema digital oferece?


Sim, a ALEXA 65 mudou minha percepção de várias maneiras. Esta é a melhor câmera para o trabalho digital que já experimentei. A gama de cores já melhorou e continuará melhorando e, ainda, as escolhas de lentes estão aumentando.