Del Toro + Laustsen em A FORMA DA ÁGUA

Del Toro + Laustsen em A FORMA DA ÁGUA

Capturado em ALEXA com Master Primes e iluminado com SkyPanels, A FORMA DA ÁGUA é uma história de amor do outro mundo.

Com A FORMA DA ÁGUA, o diretor Guillermo del Toro cria novamente uma mistura mágica de conto de fadas, emoção e drama, com a fotografia desempenhando um papel de grande importância na criação do ambiente e da história. Del Toro chamou o diretor de fotografia Dan Laustsen, ASC, com quem trabalhou no MUTAÇÃO e no A COLINA ESCARLATE. "O design final da criatura é feito com luz", diz Del Toro. "Se eu não tivesse um fotógrafo que entendesse isso, não funcionaria. Dan também entende que é "sobre emoção" não apenas sobre a luz principal, a luz cruzada, a luz da lateral, e assim por diante". Laustsen lembra suas primeiras conversas com Del Toro sobre como conseguir as rigorosas exigências do roteiro. "Sua visão era tão forte, que eu comecei a acreditar que era possível", diz ele.

Del Toro (esquerda) e Laustsen no set de A FORMA DA ÁGUA.
Foto cortesia: Fox Searchlight

Dois aspectos de A FORMA DA ÁGUA intrigaram de imediato a Laustsen. Primeiro, os principais personagens do filme: Elisa (interpretada por Sally Hawkins) e a criatura anfíbia (interpretada por Doug Jones), não falam uma palavra. "Essa ideia de dois personagens mudos conectados é muito cinematográfica", diz ele. O fato de que grande parte do filme ocorre dentro e embaixo da água, era também interessante. "Tudo está em movimento no filme", diz ele. Laustsen confiou na ARRI ALEXA com as lentes ARRI / Zeiss Master Prime. "Você pode realmente ver os detalhes com esta combinação", ele explica.

THE SHAPE OF WATER | Shape, Form and Light | FOX Searchlight

Uma olhada nos bastidores da direção de fotografia e da direção de arte no A FORMA DA ÁGUA.

Laustsen e Del Toro traçaram movimentos de câmera muito precisos. "A câmera está se movendo o tempo todo", diz Laustsen, que informa que utilizou Steadicam, dollies, gruas, cabeças eletrônicas e Technocrane. Como o orçamento do filme não permitia um Technocrane o tempo todo, ele acrescenta, eles tiveram que fazer um planejamento com cuidado. "Tínhamos alguns maquinistas fantásticos", diz ele. "Guillermo falava com eles através de fones de ouvido. Ele sabe exatamente onde a câmera deveria estar, porque sabe onde vai ser o corte. É por isso que a câmera não fica indo e voltando. Ela fica apenas flutuando pois ele vai cortar de um movimento de câmera para o próximo movimento de câmera."

A iluminação foi desafiadora devido ao constante movimento da câmera e crucial para o look do filme. "Foi bem organizado e com um relacionamento muito próximo entre mim, o diretor de arte, o pessoal da maquiagem e cabelo, figurino e, claro, Guillermo", diz Laustsen. "Todas as cores eram importantes, mas especialmente as cores da parede, que eram pintadas com uma sombra de aço azul". As cenas de abertura e final foram filmadas das secas para as molhadas, o que permitiu que os atores encenassem com os olhos abertos. "Tudo isso está na câmera, filmado com Steadicam, com uma quantidade insana de fumaça no estúdio", diz ele. As máquinas de vento estavam movendo as roupas de Elisa, e alguns retroprojetores foram usados como luz principal que também está se movendo. A sequência foi filmada em 48 fps e o local dos efeitos visuais foi em Toronto na Mr. X, onde adicionaram elementos flutuantes. "Isso dá a sensação de estar subaquático, mas não de forma realista, o que é um bom tom para o filme", diz ele.

Foto cortesia: Fox Searchlight

Um grande diretor de fotografia é como um maestro de uma orquestra, ele transmite a emoção com a luz ao invés de notas musicais.

A produção também usou os SkyPanels da ARRI, com um dimmer para iluminar o apartamento, localizado acima de um cinema com luz de néon, onde Elisa vive. "Tínhamos uma ripas por onde a luz atravessava o chão e tudo isso era feito com SkyPanels", diz Laustsen. "Usamos o máximo que pudemos. Com luzes LED, você pode fazer todas as cores, todas as mudanças do mundo, mas é fácil cometer um erro, então, eu tive que ter muito cuidado". Del Toro adora o resultado. "Dan é um gênio com luz", ele se entusiasma. "Ele foi capaz de iluminar o filme como se fosse P&B dos anos 50, apesar de termos usado cor. A luz é muito expressionista, cheia de sombras e acho que é muito clássico."

Uma das cenas que Laustsen tem mais orgulho, ocorre no banheiro, onde a criatura na banheira e Elisa, percebem que estão se apaixonando. "Estávamos mudando a luz para este aço azul-verde em uma luz mais dourada e romântica", diz ele. "Foi tão importante para Guillermo e para mim, que Sally parecia uma princesa e, ambos ficaram fantásticos. Foi uma cena no dolly/grua e estávamos enganando com a luz o tempo todo", acrescenta. "Alguém que olha isso com muito cuidado verá que mudamos a luz principal de um lado para o outro. Mas não queríamos contar uma história realista. Queríamos contar um conto de fadas e acho que isso funcionou muito bem."

 

 

Este é o terceiro trabalho de Laustsen com Del Toro depois de MUTAÇÃO e da A COLINA ESCARLATE.
Foto cortesia: Fox Searchlight

Del Toro concorda. "Acho que todos os grandes diretores de fotografia são emotivos", diz ele. "Um grande diretor de fotografia é como um maestro de uma orquestra, ele transmite a emoção com a luz ao invés de notas musicais."