ARRI nos bastidores de WRATH OF SILENCE

ARRI nos bastidores de WRATH OF SILENCE

O filme aclamado pela crítica do diretor Xin Yukun, WRATH OF SILENCE, é um thriller policial ambientado em um distrito chinês de mineração de carvão. Em uma tentativa de revelar a verdadeira natureza da sociedade chinesa moderna, a história gira em torno da busca de crianças perdidas por um mineiro mudo. O diretor de fotografia do filme, He Shan, falou à ARRI sobre como as ALEXAs Mini, as lentes Master Anamórficas, a iluminação da ARRI e o workflow do ARRIRAW o ajudaram a realizar sua visão obscura do projeto.

He Shan e a ALEXA Mini aproveitam ao máximo o espaço de cenas apertadas.

Esta é a sua segunda vez trabalhando com Xin Yukun, você poderia compartilhar algumas das histórias?

Eu me encontrei com o diretor Xin Yukun inicialmente em 2007, e o WRATH OF SILENCE foi o primeiro filme que ele queria fazer. Devido a várias razões, ele acabou se tornando seu segundo projeto e trabalhamos juntos primeiramente no THE COFFIN IN THE MOUNTAIN. Yukun e eu viemos da mesma província no noroeste da China e ele frequentemente voltava lá para procurar locais para filmar. Quando ele decidiu fazer o WRATH OF SILENCE e eu vi o roteiro em maio de 2016, fiquei realmente empolgado com o projeto, já que não havíamos chegado a um acordo alguns anos antes. Havia muitos elementos de nossa infância na história e eu pude visualizar muitas cenas antes mesmo de serem filmadas. Na verdade, tentamos criar esse visual específico quando decidimos filmar o THE COFFIN IN THE MOUNTAIN, mas ele não se encaixava no roteiro. Portanto, estávamos ansiosos para explorar novamente o look do WRATH OF SILENCE.

Personagem principal, Zhang Baoming, procurando por seu filho perdido nas montanhas do norte da China.

Você poderia nos falar sobre a atmosfera que você queria criar no WRATH OF SILENCE?

Esses tipos de filmes de gênero, geralmente são cheios de visuais arquétipos e tradições. Especificamente, em termos de cor, para Zhang Baoming, as cenas do personagem principal, focamos nos tons amarelo e preto. Amarelo é uma cor que normalmente representa o noroeste da China. O preto, foi então usado para os elementos mais escuros da peça, incluindo cavernas de mineração de carvão e fábricas de carvão. O personagem Chang Wannian, é o chefe de um grande grupo de mineração de carvão; usamos muita luz natural e cores vermelhas para destacar seu personagem. Enquanto com Xu Wenjie, o advogado da história, usamos muitas luzes abertas e o tom era mais suave, mas também mais frio. Esses três personagens simbolizam três diferentes status sociais.

Chefe de um grande grupo de mineração de carvão, Chang Wannian, arredores vermelhos e hábitos extravagantes.

O estilo visual de WRATH OF SILENCE foi inspirado em outros filmes?

Tenho que dizer que PRISONER e SICARIO tiveram muita influência sobre mim e, até mesmo há uma pequena semelhança entre as cores da montanha tanto no WRATH OF SILENCE quanto em SICARIO. Há também algumas cenas de túnel no SICARIO. Deliberadamente fiz o tom de pele do rosto alaranjado, para acentuar a ansiedade ardente dos personagens; ajudou a destacar as lutas internas e o ambiente geral da história. Roger Deakins adora amplos formatos das Master Primes. Ele sempre me surpreendeu com sua habilidade de fundir uma boa história e bons recursos visuais.

Por que você escolheu fotografar com lentes anamórficas?


Antes de começarmos a filmar, tive a ideia de usar luz solar direta e de alto contraste, semelhante ao céu do noroeste da China. Eu não queria suavizar demais as cenas externas para poder construir essa textura grosseira e fria. Havia muitas tomadas de cavernas de mineração, montanhas e pessoas andando no deserto, mas também as cenas de escritório e as cenas de câmara, eram muito importantes. Usamos lentes Master Anamórficas para tentar aumentar a geografia incomum e o intenso sentimento do filme. Com a natureza mais angular das lentes anamórficas, poderíamos também captar mais do ambiente e essa foi outra razão pela qual optamos por usar a Master Anamórfica.

“Eu não queria suavizar demais as cenas externas para poder construir essa textura grosseira e fria”, comentou He Shan.

É a primeira vez que você gravou um longa-metragem com a ALEXA Mini e as lentes Master Anamórficas? Qual a sua impressão?

Sim, é a primeira vez que uso lentes anamórficas, costumava filmar muito com lentes esféricas e cropar na pós. Além da perspectiva mais angular que mencionei anteriormente, a menor distância focal é um pouco maior, então eu trouxe um conjunto de filtros de close-up que usei em algumas cenas de direção e closes bem próximos. Quanto à cor das Master Anamórficas, não há grande diferença entre eles e as esféricas e, é realmente muito acentuado.

O tamanho do ALEXA Mini é um grande bônus, nos permitiu filmar com menos peso e mais rápido. Tivemos muitas cenas no ombro, haviam cavernas que só permitiam que duas pessoas se agachassem e, isso teria sido muito difícil para uma câmera grande. Usamos duas ALEXA Minis também para as cenas em que estávamos escalando montanhas e também para as tomadas com várias câmeras nas cenas de ação. A câmera realmente brilhou quando filmamos as cenas externas. Havia muitos lugares estreitos, incluindo as cenas na floresta e a ALEXA Mini foi perfeita para o trabalho. Também acho que a estabilidade geral da ARRI é excelente, não há problema em usar uma ALEXA Mini como a câmera “A” (principal).

ALEXA Mini provou ser útil ao fazer cenas de ação.

Conte-nos um pouco sobre o processo de iluminação e quais refletores foram úteis.

Não usamos muita luz no exterior, e como há muitas sequências de ação, basicamente usamos apenas a luz natural. Sabíamos que a luz do sol seria muito quente e permitiria uma textura visual de luz dura. Também daria mais de um tom amarronzado à pele do ator, que é o que queríamos. No entanto, para tomadas internas, usamos os HMIs da série M, incluindo M18, M40 e M90. Por exemplo, para as cenas na casa de Zhang Baoming no inverno, usamos M90 de fora como uma fonte dura e o M18 de dentro para preencher o espaço. Gosto da simplicidade deste tipo de iluminação, a imagem parece mais limpa e você não tem sombras bagunçadas. Também usamos SkyPanels como o S60 para preencher algumas das cenas. É muito conveniente e eu usei em dois dos meus últimos projetos. Acho que os SkyPanels são realmente avançados em termos de brilho e cor. Eles também economizam muito tempo, já que não há problemas com a troca de filtros e gelatinas. Especialmente o S360-C, acho que a luz é incrível, provavelmente porque eu me inclino mais a usar uma única fonte plana e grande.

“Para as cenas na casa de Zhang Baoming no inverno, usamos M90 de fora como uma fonte dura e o M18 de dentro para preencher o espaço”, mencionou He Shan.

Você poderia nos contar um pouco mais sobre o formato de gravação, o monitoramento no set, o workflow do DIT e o processo de correção de cor?

Costumava usar a Alexa clássica e principalmente filmando em 2K ProRes, mas, depois que testamos o ARRIRAW e descobrimos seus recursos na pós-produção, o utilizo desde então. Desta vez, também usamos o ARRIRAW. Não fizemos um LUT antecipadamente. Nós monitoramos principalmente no Rec709, mas gostava de verificar os detalhes das altas e baixas luzes no “false color”. Os DITs faziam backups duplos no set e havia um editor também. Durante a correção de cor, eu finalizava o look ao lado do diretor para algumas cenas importantes, e a finalizadora começava com essas cenas como referência. Havia uma boa correção de cor do céu, nos detalhes da sombra e nos tons de pele. O ARRIRAW não nos decepcionou.

Você está satisfeito com a atual linha de produtos ARRI?


A ALEXA Mini já é uma câmera muito boa, incluindo o layout dos botões e o hábito do usuário. Às vezes, tenho a impressão de que a ARRI tentou prever algumas das funções que os cineastas precisam para facilitar a filmagem. Essa é provavelmente a razão pela qual a ARRI é uma ótima empresa. A qualidade da imagem, a cor e a latitude são boas e, as imagens têm um sentimento cinematográfico para elas. Para meus projetos futuros, eu também gostaria de experimentar câmeras de grande formato com um círculo de imagem maior. Os resultados podem corresponder mais de perto às capacidades do olho humano e ter menos distorção.

“Não há problema em usar uma ALEXA Mini como a câmera “A”, comentou He Shan.